
Muitos já me perguntaram o que seria um teatro ontológico. Uma vez o que eu disser aqui ficará publicado (na Net), seria um pouco pretensioso de minha parte dar uma definicação precisa do termo. Mas acho que o próprio termo e até mesmo para o que o diretor avant-garde Richard Foreman propõe, me dão abertura para dar uma definição do indefinivel! Ano passado foi o meu primeiro
debut das peças de Foreman, "The Gods are Pounding on my head! (a.k.a. Lumberjack Messiah)" foi a minha primeira e para ser sincero não gostei. Achei que não passava de uma peça intelectualóide onde não havia muito sentido. Na verdade, ainda não havia acostumado com aquela idéia de teatro metafísico, com aquele
abstrakt e falta de um enredo. Mas para que um enredo quando falamos em filosofia, metafísica e ontologia? Buscar uma definição para Ontologia é um pouco complicado mas não impossível. Ontologia nada mais é do que uma especificação de uma conceitualização! Parece fácil, mas não é. Só vendo para entender. "Zomboid!" a peça híbrida que leva consigo o entre parênteses (film/performance project#1) que fui ver no domingo passado, jà foi mais interessante e deu para ingerir melhor o seu conteúdo. Duas formas de arte apresentadas juntas, video e teatro, mas ambos pareciam independente um do outro. Às vezes se tinha a impressao de que os personagens do video olhavam para os atores no set. Às vezes os atores do video se dispunham de tal forma e em diferentes cenas como se estivessem posando em pinturas e sempre repetindo frases do tipo: "Suppose I were to postulate ... an opinion must always be an internal misunderstanding. How do you deal with that?" Pareciam estar te desafiando a dar-lhes uma resposta. Durante o trabalho tambem havia um boneco burrinho que simbolizava "a cruz" que carregamos na vida e através de um jogo de vendar os olhos os atores queriam nos deixar parecer que o burrinho poderia desaparecer ou reaparecer. Tudo é interpretável como não. (Foi assim que resolvi entrerpretá-la - se é que havia possibilidades para tal). O sentido da peça é apresentar idéias, os atores fazem parte destas idéias e o que está na cabeça de Foreman. Ninguém realmente desenvolve um papel. Quando você acha que está entendendo "descarte" o entendimento se não entendeu "descarte" o que não entendeu, se achou bonito, descarte a idéia de bonito, ficando então aquela coisa oscilante, incômoda e sempre aberta, aberta ao pensar. Seu disser que é isso, estarei mentindo, mas também não posso dizer que não. Te digo não é fácil assistir a uma peça de teatro experimental, mas dessa vez eu não dormi no meio e te confesso que achei muito divertido ver o compositor John Zorn dando umas dormidinhas na platéia. Deixo aqui um convite ao pensar, incômodo, um algo oscilante como fonte de criação, sugestão e idéias. Se tiver uma oportunidade de se aprofundar no teatro experimental, conhecer o trabalho de Richard Foreman que assim trabalha desde 1968, conheça! Suppose I were to postulate... life is not what we think it is. How do you deal with that?
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