Balé Bolshoi do Brasil - Um memoire

Para: Leninha e Cris - saudades!
Estava aqui lembrando e morrendo de rir de um caso: Uma vez saiu no Caderno de Cultura uma reportagem falando sobre uma apresentação única e exclusiva do Balé Bolshoi no Palácio das Artes e que os ingressos eram limitadíssimos as preços promocionais, $150, $200 e $300 pilas. Li a reportagem e com mais calma percebi que não era bem o Balé Bolshoi russo que conhecíamos, mas o Balé Bolshoi do Brasil. "Bem, acho que valeria a pena, afinal de contas ainda era o Balé Bolshoi, certo?" pensei. Liguei para Olímpia Helena "Leninha" e Cristina Campolina, amigas queridíssimas dos tempos de faculdade e topamos ir. Corri então para o único lugar que vendia os tais ingressos que era uma casa de tintas (estranho né?) e aí estava tudo combinado.
No dia da apresentação, Leninha havia pulado do barco... Eu achei estranho e pensei que ela estava se vingando daquele dia em que faltei ao jantar que havia combinado de ir... mas não tava com cara de vingança não, tinha alguma coisa no ar que ela sabia e que nós não sabíamos... tudo bem. Cris ainda estava animada e eu também. Combinamos de encontrar no Palácio das Artes e os mendi(n)gos (gosto mais de mendingo do que de mendigo) começavam a oferecer os ingressos na porta e Cris e eu orgulhosos exibíamos os nossos de $150 pilas na mão dizendo: "Já compramos!". Entramos e sentamos naquele anfiteatro enorme. As luzes se apagaram e antes de começar um homem entrou no palco e começou a dizer um monte de blá blá blá introdutório e monótono até na hora em que disse "obrigado a Casa de Tintas Patati-Patatá por sua imensa doação, obrigado a Empresa "Fulana de Tal" por sua imensa doação..." e aí veio o pior: "... obrigado aos trouxas Bruno, Cristina e Olímpia Helena por serem os únicos a pagarem $150 pilas pelos ingressos". Como não aparecemos no palco, uma luz caiu sobre Cris, eu e o lugar da Leninha (que estava vazio) e todos olharam para trás rindo e aplaudindo; um que estava na nossa frente ainda disse: "VOCÊS PAGARAM $150 PILAS PELOS INGRESSOS? KKKKKKKKKKKKKK! ERA DOAÇÃO, VOCÊ PAGAVA A QUANTIA QUE QUISESSE! $150 PILAS.... KKKKKKKK TROUXAS..." É óbvio que Cris e eu morremos de vergonha diante daquela luz que estava sobre as nossas cabeças - não havia de como esconder naquele momento e o que fizemos foi apenas mostrar um sorriso amarelo (foi aí que entendi porque que Olímpia não veio! Ah sim! Aquilo foi vingança! Ela sabia do mico que estávamos pagando e ainda aposto que estava em casa morrendo de rir e contando toda a situação pro Cleber...). Como não se podia mais "volver" no tempo, não podia mais chorar pelo leite derramado, o que nos restava então durante aquele estúpro, já que estávamos de mãos e pés atados, era relaxar e gozar. Depois que a luz se apagou sobre nós, ainda se ouvia alguns risinhos, cochichos e comentários, mas finalmente a apresentação começou. Estávamos dispostos a aproveitar. No palco uma mulher gorda vestida de fada azul aparece. Pensei: "Ah não, será que essa pelota vai dançar?" "No mínimo será aquele balé de hipopótamos sob a música de Ponticelli que vimos em Fantasia". Daí e ela começou a falar como se tivesse contando uma historinha e de repente os bailarinos com as perninhas viradas para trás como se fossem carneirinhos, com idade de 5 a 9 anos entram e começam a dançar. Mal, mal você começava a aproveitar e a música e dança eram interrompidas e a gorda fada-azul introduzia outros bailarinos com a mesma faixa etária e com as mesmas perninhas de carneiro para dançar mais excerpts.... Foi o que aquela apresentação chula foi: excerpts. Poxa, se pelo menos tívessemos pago $150 pilas pra uma apresentação descente com músicas na íntegra e tudo estaríamos mais felizes... Mas não. Foi um estúpro mal feito que nem nos fez gozar!
Depois daquilo tudo o que nos restou foi pelo menos fumar um cigarrinho que se lê assim: Cris e eu no Santa Tereza comendo uma pizza que por sinal estava divina!



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