Este espaço foi pensado e criado para expor idéias, falar de música, poesia, artistas, cultura e também besteiras. O nome "A Hora Barravento" é uma homenagem ao Jornal "A Última Hora" que abrigou grandes jornalistas como Nelson Motta que sempre soube ver a música popular brasileira e suas divergências com imparcialidade e como um todo; e ao grande poeta e letrista Torquato Neto. Barravento é uma homenagem a Glauber Rocha, grande cineasta do Cinema Novo que deu um novo sentido as diretrizes da nossa cultura brasileira através das telas do cinema.
Sunday, December 16, 2007
Um Rio de Janeiro nunca visto antes...
Eis aqui uma raridade filmada em 1936 sobre o Rio De Janeiro. Este filme a cores parte de uma série de curtas-documentário chamado "A Fitzpatrick's Traveltalk" da Metro Godwin Mayer e apresentado por A. William Fitzpatrick. Espero que gostem!
Estava me lembrando aqui agora de um fato que me ocorreu de quando eu trabalhava ainda no hotel. Como de costume haviam excursões de grupos estrangeiros que hospedavam-se lá e dessa vez foi um grupo escolar de jovens portugueses. O engraçado é que eu já havia notado antes que todas as meninas tinham uma sobrancelha só. Uma vez que o grupo tinha saído do lobby para os quartos eu resolvi comentar com o meu supervisor o fato. Como ele é brasileiro também, não quis gastar o meu inglês e numa forma muito educada disse: "Você viu como as portuguesas são bonitas e o engraçado é que todas elas tem uma sobrancelha só!". Pra variar, tinham duas supervisoras/professoras do grupo que estavam no lobby e eu não notei... Final da história elas morreram de rir e me disseram que iam falar com as meninas e eu morri de vergonha.
Ainda bem que não falei mal porque todas elas tinham um charme de Frida Kahlo o problema é se tivessem bigodes...
Caramba aqui vai um filme bem delicado de se comentar não pelo seu conteúdo mas devido a problemas de geração. Eu gostaria de começar comentando pra quem conhece a banda New Order esse filme conta um pouco da história do início dessa banda, mas será que todo mundo conhece New Order ou se lembra deles? Sendo sincero os anos 80 não teve o mesmo sabor de lembrança em relação as duas precendentes décadas. Pra mim os anos 80 foi uma transição da música boa para a ruim ao qual hoje vivemos imerso nos restando somente um pouco de boas bandas e bons artistas que se são difíceis de desfrutar.
Bom, mas voltando ao "Control" que é um filme bem interessante, do diretor Anton Corbijn que conta a história de Ian Curtis, poeta e músico que se integra a um grupo de jovens e montam a priori a banda "Warsaw", mais tarde conhecida como "Joy Division". Devido a uma vida bastante tulmutuada com relações extraconjugais e vários ataques epiléticos, o jovem Ian Curtis se suicida aos 23 anos de idade na véspera da turnê da banda aos Estados Unidos no dia 18 de Maio de 1980. Filmado em preto e branco e com uma direção de arte extraordinária, o diretor conseguiu captar não só a atmosfera industrial e depressiva de Manchester como também o clima Pós-Punk da época. Não se deve esquecer que o filme foi baseado no romance Touch From A Distance escrito por Deborah Curtis a esposa do cantor que também participou na co-produção.
É interessante olhar para trás e ver o que foi Joy Division e o que é New Order, bandas completamente diferentes. A pensar que a maioria das pessoas dizem "Ian Curtis foi Joy Division" e New Order infelizmente se perdeu ou se dissolveu por assim dizer no meio pop se assemelhando muito ao Pet Shop Boys que pra mim não tem nada demais...
Para os fãs de Bob Dylan, I'm Not There o novo filme do diretor Todd Haynes sobre a vida do cantor americano promete. A vida e música de Bob Dylan está dramatizada numa série de diferentes personas: ator-poeta, profeta, fora-da-lei, fake, estrela, rock-n-roll, renascido cristão martirizado. Todas essas instâncias transadas juntas como orgãos que dão vida a uma história vibrante numa era tão turbulenta e inspiradora. I'm Not There faz jus ao nome uma vez que o expectador vai ouvir as músicas e vai ver a vida de Bob Dylan, mas seu nome não será mencionado uma sequer vez, pois ali as personas estão para dar um retrato abstrato a biografia do cantor.
Para o papel do cantor se tem Cate Blanchett (que mais uma vez está impecável), Ben Whishaw, Christian Bale, Richard Gere, Marcus Carl Franklin e Heath Ledger. Mais uma vez Todd Haynes soube dar um novo espírito a narrativa cinematográfica dando novos ares a uma perspectiva sobre a vida de uma estrela. Para quem gosta e não gosta de Bob Dylan vale a pena conferir "I'm Not There".
Desde criança, sempre me perguntavam aonde eu passava as minhas férias e eu sempre respondia "Em Quartel Geral...". O povo sempre ficava intrigado pensando o que é que esse menino foi fazer no "Quartel General" e eu tinha que explicar que além de não ter nada a ver com o exército não era General e sim Geral. Daí a famosa seqüência de exclamações "Nossa, nunca ouvi falar!" ou "Sério mesmo?! Existe?!" o que me deixava morto de vergonha uma vez que meus amigos era sempre "Cabo Frio", "Búzios", "Rio de Janeiro", etc...
Bom, Jô Soares mandou uma reporter ir ao interior do Brasil descobrir cidades com nomes não muito comum por assim dizer e por fim acabaram descobrindo a cidadezinha em que eu passava as férias e onde a família de minha mãe cresceu e mora. Parece uma daquelas cidades que se enquadra muito bem nos versos da música Clarice de Caetano Veloso:
Há muita gente, Apagada pelo tempo, Nos papéis desta lembrança, Que tão pouca me ficou.
Igrejas brancas, Luas claras nas varandas, Jardins de sonho e ciranda, Foguetes claros no ar(...)
Mas é com muito orgulho que me lembro e tenho carinho por aquele lugar. Pois foi onde eu passei as minhas férias, colhi frutos direto do pé, roubei jabuticabas, fiz bagunça, comi comida a fogão de lenha, bolo de fubá e tive uma infância com uma família maravilhosa. A cidade é bem pequena e lá todo mundo é muito cortez, educado, amigo, caloroso e bem cuidadoso com a cidade. Ainda tem certas tradições que não se tem em mais cidade nenhuma do interior como é o caso do Congado, das Procissões, Folia de Reis, Forró do bão e é claro o famoso Casamento na Roça com direito a pau de cebo e muita música certaneja.
Somos Brasileiros e devemos dar valor ao que temos e ao que somos. Não tenha vergonha de dizer de onde venhas, a autenticidade é a melhor qualidade de um ser humano. No final da vida é que decobrimos que por fim ninguém é muito diferente de ninguém. E pra quem acha que dinheiro e bens materiais trazem felicidade, convido essas pessoas a conhecerem o povo de Quartel Geral onde se vivem bem com pouco, sempre se tem um ao outro e o sorriso no rosto!
Aqui vai um estudo baseado nos primeiros Screen Tests de Andy Warhol quando ainda eram chamados "stillies" devido a sua natureza de "não mover e não piscar os olhos".
Demarcando uma nova fase de minha, abro com a série de Screen Tests e a entrada numa banda de rock. Não nego as minhas raízes na música antiga, ainda continuo com o grupo que amo muito, mas resolvi expandir os horizontes.
Sobre os Screen Tests:
Em 1964, Andy Warhol começa a fazer uma série de curtas com todos que passaram pela Factory, indo de pessoas normais, drag queens e celebridades que tinha um possível potencial de superstar. No início, ele pedia a essas pessoas para não se moverem (se manter em still) e se possível não piscar os olhos. Luzes eram colocadas de modo que as sombras dava um novo formato ao rosto e daí então era colocar a bolex de 16mm sem som para rodar até o filme acabar o que levava 3 minutos. Mais tarde as luzes foram colocadas de forma que não haviam sombras no rosto mas a naturaza de se manter imóvel permaneceu, o que ficou conhecido como "stillies". Logo mais os filmes se tornaram mais informais e as pessoas aparecem rindo, fumando, casais ao mesmo tempo passando então a se chamar Screen Tests. Foram mais de 400 screentests gravados entre 1964 e 1966, destacando celebridades como Edie Sedgwick, Allen Ginsberg, Salvador Dali, Bob Dylan, Nico e outras mais. Para quem quer saber mais sobre os Screen Tests vale a pena conferir o livro Andy Warhol Screen Tests: The Films of Andy Warhol Catalogue Raisonnée, Volume One (Andy Warhol Catalogue Raisonnée) de Callie Angell.