De manhã cedo...

"De manhã cedo ela sai
Leva a chave
Me deixa trancado
O dia inteiro
Não ligo
Deito sobre os trilhos
E vejo o trem passar..." (Doente Morena - Gilberto Gil/Duda)
Era uma daquelas manhãs bem preguiçosas que você se levanta da cama, vai pra sala, deita no chão ou no sofá e olha para o nada pensando no nada, vagamente no vago, na vida sem pretensões, lembrando de acontecimentos sem importância. Hoje não trabalho e não quero fazer nada. Quero ficar deitado o dia inteiro para descansar de toda aquela semana que trabalhei que nem um louco. Ouço a paz lá fora, vejo o sol a brilhar, ouço o barulho de alguns carros passando, avião no céu e algumas pessoas conversando. O som quieto é de uma paisagem de um bairro arborizado e familiar. Me fez lembrar da minha velha infância na casa de minha vó no Sagrada Família, onde o tempo era somente importante para indicar a reza matinal de minha avó, o café da manhã, o almoço, a janta, a novela das 6, jornal nacional, novela das 8, a reza antes de dormir e cama. Queria que este momento nunca acabasse, momento que esqueço do tempo e do espaço, que esqueço até que existo. São momentos como esse que a gente se desliga do mundo e percebe como é tão bom, às vezes se dar ao luxo da preguiça e ser um preguiçoso por completo.



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