A Hora Barravento - Introdução

Este espaço foi pensado e criado para expor idéias, falar de música, poesia, artistas, cultura e também besteiras. O nome "A Hora Barravento" é uma homenagem ao Jornal "A Última Hora" que abrigou grandes jornalistas como Nelson Motta que sempre soube ver a música popular brasileira e suas divergências com imparcialidade e como um todo; e ao grande poeta e letrista Torquato Neto. Barravento é uma homenagem a Glauber Rocha, grande cineasta do Cinema Novo que deu um novo sentido as diretrizes da nossa cultura brasileira através das telas do cinema.

Wednesday, July 26, 2006

Os Mutantes - Um show pra vida!


Transcrevo aqui um e-mail enviado a uns amigos meus sobre o show dos Mutantes:

"Venho dizer com grande emoção que ontem pude presenciar um momento histórico e único de minha vida: O Show dos Mutantes!

O que fiquei sabendo é que eles se reuniram para uma última apresentação no mundo inteiro. Então é Europa, Estados Unidos finalmente Brasil e aí acaba!

Eu fui, estava meio decepcionado porque não contava com a participação de Rita Lee, e quem estava no vocal era Zélia Duncan. Sinceramente, não acreditei que Zélia com aquele vozeirão grave desse conta do recado mas felizmente deu e cantou muito bem! (É óbvio que houve participação de uns back vocais impecáveis que deram uma forcinha)! Arnaldo Baptista e Sérgio Dias estavam divinos e até melhores do que antes - é como se eles nunca tivessem parado de tocar! Por uns instantes me senti num daqueles festivais da TV Record dos anos 60, principalmente ao escutar 2001, Uma Odisséia Caipira ou Panis et Circenses. Viagei no Tecnicolor e Fuga No II me até me emocionei com A Balada do Louco!

Gente, sei que a última parada deles é Brasil, portanto, vocês que estão aí, não deixem de ir! Os Mutantes faz parte da nossa história, da formação de nossa cultura, da nossa música e de quem somos! São momentos únicos na vida e para o nosso currículo de vida! Acho que mais feliz foram eles por se reunirem de novo e se apresentarem.

Fim do show, restaram somente lagrimas e lemranças dos tempos que já se foram. Foram um passado, uma história e uma memória que ficaram na mente de poucos! Memória de um Brasil em preto e branco, feio e velho por uma ditadura militar que foi colorida e rejuvenescida por uma banda que fez resolveu fazer barulho quando muitos se calaram!

Abraços à todos
e tá aí a minha dica!"

Thursday, July 13, 2006

O Olhar de Elisandra Amoedo


Tava combinado o encontro às 13:00 em frente ao World Trade Center. Cheguei 5 minutos antes do combinado e quando resolvi sentar no chão, o telefone toca: Entre "alôs?", turistas, celulares e blackberries, em meio a um centro de cidade tumultuado, a tecnologia avançada não estava ajudando muito para que conseguíssemos comunicar. Tão longe via fone e tão perto um do outro em distância. Elisandra estava somente a uns passos à minha frente. Foi assim que o nosso encontro começou. Estava combinado que seria panini com suco na praça que acabaram de restaurar em frente ao World Trade Center mas estava muito quente e foi então que resolvemos andar pela Wall Street, passar o Trump Building, NY Stock Exchange e terminar ali no famoso Starbucks com caramel macchiato e sanduíches de frango. Em meio a economistas, representantes da bolsa de valores, executivos e tudo mais, nunca se passaria pela cabeça deles que naquele café, eles estavam com uma grande artista em potencial. O tempo para eles era curto, mas para Elisandra Amoedo, está somente começando.

Depois de se mudar do Brasil e viver em vários lugares nos Estados Unidos, Elisandra foi para Nova Iorque e onde, com marido e filho, espera estabelecer residencia fixa. A pouco tempo descobriu a sua paixão por fotografia e além de ser mãe e esposa, quer ser fotógrafa profissional - sem contar com o joguinho de futebol para combater o stress da correria do dia-a-dia.

Sem muita paciência com a velha guarda, Elisandra vai à frente e aposta na Fotografia Digital. Segundo ela, é menos complicado e o resultado é bem mais rápido.

Mal começou os estudos, já impressionou professores e vai ter uma de suas fotos utilizadas pela ConEdison, uma grande companhia que provém serviços elétricos em Nova Iorque. Pela conversa, ela ainda demonstra certa insegurança pois ainda não connhece o poder que tem, mas curiosidade e vontade de fotografar é o que não faltam à ela. Com viagem marcada ao Amazonas, sua terra natal, Elisandra já tem projetos para fotografar as maravilhas do Brasil e assim que voltar quer exibir seu trabalho.

O trabalho de Elisandra Amoedo pode ser visto no website "Olhares" ou copiando o link: http://www.olhares.com/elisamcdnld no seu web browser.

Contemplações sobre a Big Apple


Ah, New York, New York, de Frank Sinatra já não é mais a mesma. Não são mais os shows da Broadway e nem mais as luzes do Times Square que compõem a cidade. Mondrian em sua obra "Broadway Boogie Woogie" resume a cidade em seus traços verticais e horizontais. É no Minimalismo dos anos 60, que se faz a estética e no teatro Metafisico de Foremann que os persongens deixam de existir para fazer parte de algo mais abstrato - o pensamento do autor. Ainda se toca Bob Dylan nos Brewery e Johny Cash continua fascinando com suas velhas canções, mas o jazz se dissolveu no Dadaismo que se dissolveu no ritmo da World Music. Tem jazz no ritmo africano de Ali Farka Touré, ou no ritmo etiopes dos Éthiopiques ou na música clássica de John Zorn, William Parker e ensemble.

Para quem acha que somente se faz Arte quem não é brasileiro, está enganado. Em português muito simples, vale apena conferir o trabalho da brasileira Laura Lima, que por sinal tem suas obras publicadas no livro londrino "Fresh Cream" da editora Phaidon. Nova Iorque continua sendo a quarta capital da moda perdendo somente para Paris, Londres e Milão e o cosmopolitanismo devorando tudo e a todos e até quem não é cosmopolita acaba sendo devorado por esse kosmos. A música brasileira não pode deixar de ser mencinonada como algo chique de se ouvir pois não se confunde com som hispano dos guetos. Jorge Ben e a Bossa Nova são sempre mais-mais e a vida aqui de certa forma se faz pelas entre-linhas de nossa culinária e de nosso idioma que por sinal é maravilhoso, justamente por não ter sido saturado. As luzes do Times Square colorem a cidade à noite e a ultima tela de Mondrian; Frank Sinatra ainda é ouvido a cantar New York, New York; Lisa Mineli ainda é lembrada por seu musical Cabaré; Toulouse-Lautrec traz a nostalgia do Moulin Rouge em seus cartazes e Laurie Anderson, esposa de Lou Reed põe a cidade para dormir com suas histórias e músicas ao violino elétrico.