A Hora Barravento - Introdução

Este espaço foi pensado e criado para expor idéias, falar de música, poesia, artistas, cultura e também besteiras. O nome "A Hora Barravento" é uma homenagem ao Jornal "A Última Hora" que abrigou grandes jornalistas como Nelson Motta que sempre soube ver a música popular brasileira e suas divergências com imparcialidade e como um todo; e ao grande poeta e letrista Torquato Neto. Barravento é uma homenagem a Glauber Rocha, grande cineasta do Cinema Novo que deu um novo sentido as diretrizes da nossa cultura brasileira através das telas do cinema.

Thursday, November 30, 2006

Hedda Gabler - Ibsen sob a visão de Ostermeier


Escrita no final do século XIX, a peça Hedda Gabler de Henrik Ibsen é trazida para os palcos de hoje sob o olhar do diretor alemão Thomas Ostermeier. O drama conta a história de Hedda Gabler uma mimada burguesa insatisfeita com seu recente casamento monótono e frustrada com suas ambições não conquistadas fazem com que ela destruísse todos a sua volta inclusive ela. O velho drama burguês adaptado por Ostermeier é tratado com muita sofisticação num set giratório projetado por Jan Pappelbaum sob a trilha sonora de Brian Wilson dos Beach Boys dando destaque para música "God Only Knows (what I'd be without you)". Espelhos no teto ajudavam a dar uma outra visão dos atores no set e o fato de girar permitia o expectador num momento estar dentro da sala de visitas, ou no jardim ou até mesmo com a ajuda de um vídeo, estar na rua onde Hedda morava ou na boite com os personagens. O efeito de chuva que podia ser observado pela água que caía na porta de vidro que dava para o jardim era genial! Ostermeier fez um trabalho fantástico. Parecia que estávamos ali com Hedda presenciando uma cena do cotidiano. A estética e a adaptação impecáveis davam um leve frio na barriga de tão tocante e tão realista. Num momento me deu um calafrio por pensar que aquilo tudo estava acontecendo comigo, mas depois que as luzes se apagaram e tudo terminou. Dei graças a Deus que não passou de uma peça teatral... Hedda Gabler pode ser conferida no Next Wave Festival que acontece no BAM(Brooklyn Academy of Music).

Pós-thanksgiving: Thrift Market e suas jóias


Depois do Thanksgiving a movimentação em torno de Manhattan é uma loucura pois logo depois da quinta-feira, é a famosa black friday onde todas as roupas além de serem vendidas com desconto, são vendidas sem taxas. Mas como na verdade a semana toda havia sido tax free havia feito minhas compras antes que todos tivessem consciência disso. O que restou na sexta-feira para nós então, foi uma caminhada pela vizinhança mesmo (no Brooklyn) onde pudemos passar por uns brechós e lojas de antigüidades. A quem diga que brechó só vende roupas velhas e usadas, mas poucos sabem que muitas vezes se encontra algo novo, até mesmo semi-novo ou quase nunca usado. Sei que no Brasil não existem muitos brechós e os poucos que existem, as pessoas sempre andam resistentes a comprar pois acham que não valem a pena a gastar dinheiro com roupas usadas. O fato é que nos Estados Unidos, principalmente Nova Iorque, os brechós são os lugares procurados pelas pessoas que querem algo que não estão no mercado, algo exclusivo e único. Principalmente quando se trata de algo de época como um casaco victoriano, ou um um blaser tweed dos anos 70. Os preços são super em conta e se você não disser ninguém vai ver que é brechó!

Além dos brechós existem a feira de antigüidades que você encontra conjuntos de porcelana do século XVIII, artigos e materias da segunda guerra mundial, álbum de fotos do século XIX e coisas do tipo. A minha caminhada foi muito produtiva ao modo que além de passar desde brechós, por antigüidades como bótons da extinta União Soviética pude encontrar obras de um artista que me chamou muita atenção. Numa caixa, encontrada por Michael, estavam obras desse artista que datavam de 1936-1948. Eram obras muito lindas que se pareciam obras dos grandes Modernistas. A vendedora pouco sabia de sua vida e quanto mais passávamos pelo seu trabalho, ficávamos mais curiosos. Seu nome é Murray Guzik e a única coisa que sabemos é que ele viva no Brooklyn e freqüentava a escola de Belas Artes chamada "Cooper Union". Compramos algumas de suas obras e a vendedora nos prometeu na próxima semana trazer mais obras e algumas cartas. Espero montar um projeto para coletar informações sobre a vida e a obra de Guzik. Para quem quiser ver algumas de suas obras vá no site Murray Guzik Gallery.

Sunday, November 12, 2006

Balé Bolshoi do Brasil - Um memoire


Para: Leninha e Cris - saudades!

Estava aqui lembrando e morrendo de rir de um caso: Uma vez saiu no Caderno de Cultura uma reportagem falando sobre uma apresentação única e exclusiva do Balé Bolshoi no Palácio das Artes e que os ingressos eram limitadíssimos as preços promocionais, $150, $200 e $300 pilas. Li a reportagem e com mais calma percebi que não era bem o Balé Bolshoi russo que conhecíamos, mas o Balé Bolshoi do Brasil. "Bem, acho que valeria a pena, afinal de contas ainda era o Balé Bolshoi, certo?" pensei. Liguei para Olímpia Helena "Leninha" e Cristina Campolina, amigas queridíssimas dos tempos de faculdade e topamos ir. Corri então para o único lugar que vendia os tais ingressos que era uma casa de tintas (estranho né?) e aí estava tudo combinado.

No dia da apresentação, Leninha havia pulado do barco... Eu achei estranho e pensei que ela estava se vingando daquele dia em que faltei ao jantar que havia combinado de ir... mas não tava com cara de vingança não, tinha alguma coisa no ar que ela sabia e que nós não sabíamos... tudo bem. Cris ainda estava animada e eu também. Combinamos de encontrar no Palácio das Artes e os mendi(n)gos (gosto mais de mendingo do que de mendigo) começavam a oferecer os ingressos na porta e Cris e eu orgulhosos exibíamos os nossos de $150 pilas na mão dizendo: "Já compramos!". Entramos e sentamos naquele anfiteatro enorme. As luzes se apagaram e antes de começar um homem entrou no palco e começou a dizer um monte de blá blá blá introdutório e monótono até na hora em que disse "obrigado a Casa de Tintas Patati-Patatá por sua imensa doação, obrigado a Empresa "Fulana de Tal" por sua imensa doação..." e aí veio o pior: "... obrigado aos trouxas Bruno, Cristina e Olímpia Helena por serem os únicos a pagarem $150 pilas pelos ingressos". Como não aparecemos no palco, uma luz caiu sobre Cris, eu e o lugar da Leninha (que estava vazio) e todos olharam para trás rindo e aplaudindo; um que estava na nossa frente ainda disse: "VOCÊS PAGARAM $150 PILAS PELOS INGRESSOS? KKKKKKKKKKKKKK! ERA DOAÇÃO, VOCÊ PAGAVA A QUANTIA QUE QUISESSE! $150 PILAS.... KKKKKKKK TROUXAS..." É óbvio que Cris e eu morremos de vergonha diante daquela luz que estava sobre as nossas cabeças - não havia de como esconder naquele momento e o que fizemos foi apenas mostrar um sorriso amarelo (foi aí que entendi porque que Olímpia não veio! Ah sim! Aquilo foi vingança! Ela sabia do mico que estávamos pagando e ainda aposto que estava em casa morrendo de rir e contando toda a situação pro Cleber...). Como não se podia mais "volver" no tempo, não podia mais chorar pelo leite derramado, o que nos restava então durante aquele estúpro, já que estávamos de mãos e pés atados, era relaxar e gozar. Depois que a luz se apagou sobre nós, ainda se ouvia alguns risinhos, cochichos e comentários, mas finalmente a apresentação começou. Estávamos dispostos a aproveitar. No palco uma mulher gorda vestida de fada azul aparece. Pensei: "Ah não, será que essa pelota vai dançar?" "No mínimo será aquele balé de hipopótamos sob a música de Ponticelli que vimos em Fantasia". Daí e ela começou a falar como se tivesse contando uma historinha e de repente os bailarinos com as perninhas viradas para trás como se fossem carneirinhos, com idade de 5 a 9 anos entram e começam a dançar. Mal, mal você começava a aproveitar e a música e dança eram interrompidas e a gorda fada-azul introduzia outros bailarinos com a mesma faixa etária e com as mesmas perninhas de carneiro para dançar mais excerpts.... Foi o que aquela apresentação chula foi: excerpts. Poxa, se pelo menos tívessemos pago $150 pilas pra uma apresentação descente com músicas na íntegra e tudo estaríamos mais felizes... Mas não. Foi um estúpro mal feito que nem nos fez gozar!
Depois daquilo tudo o que nos restou foi pelo menos fumar um cigarrinho que se lê assim: Cris e eu no Santa Tereza comendo uma pizza que por sinal estava divina!

Friday, November 03, 2006

Páginas do Passado


É com muita ternura que se lê Minha Vida de Menina e descobrir que além de um livro para "adolescentes", é um documento histórico que registra a vida e os hábitos da cidade de Diamantina no final do século XIX. Mas o mais importante é que a autora Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant teve a intenção de transformar seu diário em livro não como um documento, mas como uma mensagem à suas netas sobre felicidade, deixando registrado com suas próprias palavras no prefácio da primeira edição: "A felicidade não consiste em bens materiais mas na harmonia do lar, na afeição entre a família, na vida simples, sem ambições - coisas que a fortuna não traz, e muitas vezes leva".