A Hora Barravento - Introdução

Este espaço foi pensado e criado para expor idéias, falar de música, poesia, artistas, cultura e também besteiras. O nome "A Hora Barravento" é uma homenagem ao Jornal "A Última Hora" que abrigou grandes jornalistas como Nelson Motta que sempre soube ver a música popular brasileira e suas divergências com imparcialidade e como um todo; e ao grande poeta e letrista Torquato Neto. Barravento é uma homenagem a Glauber Rocha, grande cineasta do Cinema Novo que deu um novo sentido as diretrizes da nossa cultura brasileira através das telas do cinema.

Saturday, June 17, 2006

De olhos bem fechado


Na última quinta-feira, um amigo e eu fizemos reservas para uma performance muito diferente: The Dark Dinning ou Jantar às Escuras. O evento aconteceu no espaço chamado Galapagos que fica no Williamsburg no Brooklyn. (Aliás tô devendo um blog sobre Williamsburg que é muito charmoso e interessante). Galapagos é superbacana. É uma mistura de bar com música ao vivo - geralmente jazz - com espaço de performances, o local tem uma vitrine enorme onde se vê uma enorme piscina negra que se extende até o fundo onde se tem o bar e o palco. Na piscina, uma plataforma lateral surge breve para que se possa andar e contemplar com algumas poucas fotografias que flutuam no espaço negro. Quando se chega ao bar, existe uma entrada lateral onde se tem os banheiros e o "Back room" aonde acontecem as performances ou exibições de arte. Tudo muito rústico sem a preocupação de agradar ou querer ser chic, mas de muito bom gosto.

Demos os nossos nomes, recebemos máscaras para vendar os nossos olhos e assim que a colocamos, não vimos mais nada. Fomos então levados para as mesas aonde seria servido o jantar seguido de apresentações. Tudo tinha a sua hora, havia hora em que podiamos conversar, na outra comer e na outra somente ouvir o que estava ao nosso redor mas sem ver nada, absolutamente nada! Foi muito interessante. Na hora de comer, havia perdido a paciência por estar tentando achar com o garfo a comida e resolvi usar as mãos (afinal ninguem me via mesmo). Quando um amigo meu perguntou como eu estava comendo, disse alto e em bom tom: "Com as mãos!" Uma menina com sotaque indiano que estava perto disse no maior alívio com mistura de felicidade "eu também! Eu também estou comendo com as mãos! É bem mais fácil!" Barulhos de chuva e construção faziam parte da apresentação, haviam momentos que os músicos te tocavam, faziam massagem, passavam a mão no teu cabelo, um dos artistas cantou, sapateou fazendo percurssão com o corpo. Ouvi até um clavicórdio que só foi audível depois da segunda música devido aos ruídos. No final, depois que tudo havia sido servido, éramos escoltados para fora e daí podíamos tirar as máscaras. Recebemos então o menu incluindo o programa do que a gente havia comido e participado! Foi diferente, bacana, mas te confesso, foi muito bom poder ver de novo. Foi caro e quando chegamos em casa ainda tivemos que pedir comida, porque ainda estávamos com fome! Rsrsrsrs!